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Tópico: O Chão está frio

  1. #11
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    Como sempre, venho aqui apenas te parabenizar pelo texto. Espero que seja a semente de um futuro livro.

    Até mais.


    “A leitura torna o homem completo; a conversação torna-o ágil; e o escrever dá-lhe precisão.”
    (*¥*)
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  3. #12
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    Pessoal, muito obrigado pela atenção ao meu projeto, obrigado mesmo a todos os comentários e incentivos. Tenho imensa dificuldade na disciplina para escrever. Tentarei não fazer tanto tempo de intervalo entre um capítulo e outro.
    O que é arte afinal?

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  5. #13
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    Padrão Capítulo II - Mais Flor por favor

    Dois homens após o trabalho sentados na mesa de um bar. Cada um com seu copo. O silêncio entre dois homens numa mesa de bar, se assemelha de certa forma ao silêncio de duas mulheres juntas em qualquer lugar, algo não vai bem.
    Eu balanço o copo, olho pra dentro dele, ó breja.
    Esperava até alguma reação do Augusto, mas ele é muito mais maduro do que eu. Eu estaria putasso, tomando um porre, encostando nos outros, procurando o atrito do olhar que gera aquela faísca só pra socar a cara de alguém. Augusto, ah, o Augusto, sorri de lado, balança os ombros, olha meio cabisbaixo e depois me dá um tapinha no ombro.
    - Temos de comemorar.
    - Ô, comemorar o quê Augusto, acabei de te dar uma péssima notícia cara.
    - Que nada Macedo, nada disso. Foi uma boa caçada hoje.
    - Mas não pros dois. Eu não teria conseguido sem você.
    - Sem grilo. Eu não ia me dar muito bem lá mesmo, sabe. Esse negócio de cidade grande, ia me deixar meio pilhado.
    - Tá falando besteira.
    - É sim. Ia ficar perdido, tanta gente, tanta coisa acontecendo, tanta rua pra descobrir. E aliás, o que ia ser das minhas meninas sem o papai aqui.
    - Tu só tá falando besteira.
    O clima começa a ficar mais leve, enquanto a gente vai bebendo e relaxando. Vou aproveitar e tirar esse paletó.
    - Que marca é essa no pescoço Macedo?
    - Marca, ah sei lá, um vermelhão?
    - É.
    - Ah, foi de ontem, havia me estressado com uns caras no Castelinho.
    - Hum ... não, isso aqui é ... um chupão.
    - Não, foi uma gravata que um rapaz tentou me fazer, deve ter assado a pele.
    - Macedo, isso é marca de chupão, e de chupão eu entendo. E te digo mais, foi feito com vontade de marcar.
    - Ahhh ... tá certo, beleza.
    - Macedo, se lembra do filme do Katatê Kid.
    - Sim, do senhor Miyagi.
    - Não, “bota casaco”
    - O quê ?
    - Bota o casaco, Violeta tá chegando.
    Puta merda. Puxo o paletó e visto rapidamente sem levantar. Enquanto chega minha peguete oficial, Violeta.
    - Oi Leonardo, tudo bem.
    Beijinhos carinhosos no rosto.
    -Oi Augusto, tudo bem contigo.
    - Tudo lindo lindo Flor.
    - A Augusto, você não presta. Então Leonardo, - sua mão de posse pousa sobre meu ombro – eu precisava que você me ajudasse lá em casa com a mobília.
    - Trocar o sofá de lugar.
    - É. Mexer na cama.
    Olho pro Augusto, ele entende o pedido.
    - Poxa Violeta, tinha de ser logo hoje? A gente tá comemorando a matéria do Macedo.
    - Matéria? Que matéria.
    - Macedo cobriu um furo de reportagem, mas amanhã você vai ficar sabendo.
    - Furo meu querido? Você tem de me contar isso.
    - Não meu bem, amanhã você fica sabendo.
    - Não pode me adiantar nada.
    O mosquito do orgulho me picou.
    - Posso te contar que vai abalar as estruturas das ruas da nossa cidade.
    - Ui ui ui Tem sangue?
    - Bem, alguém sujou as mãos de sangue.
    - Ai que malvado, vem, me contar lá em casa. Aí nós abrimos um vinho pra comemorar.
    - Não Violeta, não rouba o Macedo hoje de mim não. Foi um grande dia hoje, amanhã ele é seu.
    Ela ainda me olha, saliente. Pego sua mão e beijo.
    - Sabe que eu sou todinho seu, mas deixa pra amanhã.
    Olhos para o alto e balanço negativo de cabeça.
    - Aff, Ok, amanhã! Beijos.
    Ela vai saindo enquanto louvamos seu rebolado e inebriamos com seu perfume.
    - Foi por pouco.
    - Fica ligado, pega uma caneta Bic e fica rolando ela sobre a pele. Também pode passar gelo que ajuda.
    - E demora muito?
    - Se você fizer bastante, depois de amanhã já deve sair. Quem foi que fez isso aí?
    - Ah, foi uma puta.
    A indagação na cara de Augusto é clara.
    - Tu não é disso.
    - Não, - um gole de cerveja – foi só caso de uma noite. Ela tava de folga, eu tava lá e ela também, rolou.
    - Então, tu não pagou.
    - Quem pagou foi ela. Hehehehe
    - Hehehe. E onde é que ela tá agora.
    - Oras, eu é que sei? É uma puta, ela que se foda.
    HAHAHAHA
    Agora sim o papo estava ficando melhor. Quando encontrando alguém para sofrer nossas acusações esquecemos de nossos próprios crimes.

    Dia seguinte me reservo ao direito de acordar tarde. Um banho frio pra relaxar e ...
    TOC TOC TOC
    Quem pode ser à essa hora?
    - Abro a porta e ... Violeta?
    - Você não veio ontem eu vim pra vo ... o que é isso aqui?
    Ai não. Ela adenta o quarto me empurrando, indagando seriamente minha marca no pescoço. Agora lembro que o Almeida havia falado era disso, do chupão.
    - O quê?
    - O que é isso aqui no seu pescoço? Quando foi isso Leonardo?
    - Isso o quê, não sei do que você está falando?
    Não sou um bom ator, mas estou surpreso de qualquer forma, então dá pra enganar.
    - Esse chupão no seu pescoço. E não adianta dizer que fui eu.
    - Não foi você?
    - Já disse que não fui eu.
    - Então não sei o que é isso?
    Não que eu me acanhe com mulheres, mas se você leitor visse a Violeta, ia entender o porquê estou me sujeitando a me explicar. Seus seios fazem você ter certeza de que a atração sexual tem a ver com essa tal “perpetuação genética”. Suas pernas possuem uns bons metros de coxas grossas e firmes que pedem alguns tapas. Enfim, paremos, isso aqui é um mistério e não 50 tons de Cinza.
    - Deixa eu ver no espelho. Ah isso aqui foi uma gravata que tentaram me dar.
    - Quando Leonardo? Onde foi isso?
    Sua mão na cintura e seu tronco pra frente com esse decote fazem eu me arrepender de ainda estar de toalha. Ela olha dentro da bolsa, deve pegar uma escova de cabelo pra tacar em mim.
    - Foi durante a matéria querida, maior confusão. Não queriam a imprensa, tivemos de entrar a força no necrotério. Aqui minha mãos.
    Mostro os machucados das minhas mãos que ainda são recentes. Ela se surpreende, pega minha mãos e se arrepende de estar tão errada sobre meu caráter.
    - Ai desculpe, eu achei que isso fosse ... ai, que boba que eu sou. Foi da tal matéria de ontem né?
    - Eh, foi sim.
    - Eu, ai, me desculpa, eu quase que perdi o controle aqui contigo, eu ia ... ai, fazer uma besteira ...
    - Eu sei, mas tá tudo bem.
    - Ai perdoa, perdoa? Eu fico nervosa, nem quero pensar. Ai, perdoa.
    - Calminha, ninguém morreu então dá pra consertar, não é mesmo. Agora, quanto ao seu perdão, deixa eu trancar essa porta.

    Continua

    *
    Lendo sobre variações no roteiro me deparei com foque e desfoque do tema central, criação de tramas anexas, o que caracterizaria melhor um romance. Ainda sinto muita dificuldade de ambientação conforme me alertou Shintaro. Quando me dou conta já pulei essa parte. Tentei focar em diálogo neste ponto, daqui uns 20 dias acho que consigo criar mais alguma coisa.
    Novamente, obrigado pelas críticas, todas ajudam muito.
    Última edição por HOVO; 25-11-2016 às 23:05.
    O que é arte afinal?

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  7. #14
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    Capítulo 3 – Refrigerante, pimenta, vidro e peixe

    Nada como um banho gelado para despertar. Enquanto me secava observei as curvas do lençol que insinuavam os volumes de Violeta. Gosto de mulheres como ela, que tem atitude na cama e na vida. Não entendo essa gente mal resolvida que precisa de meninas magricelas e abobalhadas para se satisfazer. Não sabem o que é sexo, não sabem amar uma mulher, apenas amam suas fantasias de mulheres. Deixo aquele mapa do prazer já desvendado em minha cama para saciar uma outra fome, afinal é manhã. Não, não é a fome da barriga leitor, é fome de fama, preciso ir numa banca de jornal.

    Não há lugar melhor do que um banca de jornal de rodoviária para sentir o sabor do resultado de minhas linhas. Lá, esperando os ônibus estão as milhares de vidas que bebem em pequenas doses a notícia em tinta do papel-jornal enquanto viajam espremidos nos ônibus.
    A distância já vejo Seu Carmo LaBanca, um italiano, redondo, com um nariz gordo e vermelho por cima dos bigodes cinzas. Seu rosto seria mais respeitado se não fosse sua boina também cinza.
    - Buon Giorno senhor Macedo.
    - Buon Jiorno senhor LaBanca.
    - Non Jiorno, “Giorno

    - Si, si, Jiorno, capisce.
    - non, “capito”.
    - Hahahaha, Bom dia Senhor LaBanca.
    Um forte aperto de mão ou então ele vai ficar mal humorado comigo o resto do dia. Sua aparência é de uma vida de suor e trabalho, veio imigrante para nosso país a muito tempo. Criou 8 filhos com o sustento dessa banca, trabalhando todos os dias do ano. Algumas vezes um ou outro filho estava atendendo quando estava com a esposa no hospital. É uma rotina dura, mas manteve a saúde dele, afinal apesar da idade ele está atendendo de pé. Mais um jornal para um homem apressado. Ele me estende a minha compra habitual e começa a falar o que sabe que vim perguntar.

    - Hoje está uma loucura meu amico. Quando vim da agência já vi que seria um dia cheio.
    - Então o jornal está quente hoje?
    - Nem para nas mãos, não dá pra queimar. Hahahaha É só olhar em volta.
    Enquanto gesticula italinamente sua risada espreme cravos do rosto. Uma bela risada judia.
    Estou acostumado a enxergar as filas de ônibus nas rodoviárias com muitas pessoas esperando sua condução à tortura diária. Muitos olhares vagos, alguns poucos lendo jornal e menos ainda alguns de bom humor. Mas hoje, o jornal estava até sendo compartilhado, pessoas liam, apontavam e comentavam com outras do lado. É um momento de glória para quem escreve.

    - Já era hora de alguém matar aquele calhorda, non é vero?
    - Como assim Senhor LaBanca?
    Eu concordo com ele, mas sua certeza na fala me intrigou.
    - Aquele bandido do Moacir Brasil. Até que enfim mataram o pulha!
    - Não, meu amigo, ninguém o matou, ele morreu de ...
    - Envenenado não foi?

    - O Senhor leu a notícia.
    - Mas é claro que li, e ali está.
    - O quê?
    Pego o meu jornal e procuro minha matéria.
    - Não está com essas palavras, mas dá pra perceber que ele foi envenenado.
    - Ah LaBanca, aqui só está explicando que alguém queria ele morto, mas a causa foi ...

    - Veneno.
    Seu sangue italiano continua a explicar como, segundo ele, eu mesmo escrevi, que a morte dele foi forjada. Aliás, conta que em sua cidade natal uma mulher matou a marido abstêmio de cirrose, com uma conhecida técnica que envolvia vidro, pimenta, refrigerante e peixe. Seu talento judeu permitia atender e me explicar os procedimentos que ele mesmo desenhava com as mãos.
    - Aí a espinha de peixe passou a furar a parede do estômago. E foi furando e furando ...
    Apontava para aquele barrigão imenso. Apesar de incômodo precisava prestar atenção. Se alguém teve tanta certeza de que “leu” isso no jornal, alguém mais pode ter a mesma impressão. E também, a partir de agora vou tomar cuidado com a mulher que for me oferecer Traíra.

    - Obrigado LaBanca, até amanhã.
    - Até amanhã Leonardo.
    Com uma mão me saudava e na outra entregava um jornal.

    Chegando em meu apartamento me surpreendo.
    Violeta já tinha feito o café da manhã, estava apenas esperando os pães que fui comprar na padaria. Me surpreendo porque ela não é desse tipo. Sempre pregou que não seria como a mãe dela, uma Amélia que viveu em função do marido. O homem não sabia o que era montar o próprio prato, e não sabia o que era dar atenção a uma só mulher. Violeta tão logo pode foi viver com sua tia. Sua mãe até hoje ama o marido, só falta saber aonde ele está.
    - Você está bem Violeta? Não está passando mal?
    - Cala a boca e senta seu tonto. Não fiz por você, eu estou com fome também.
    - Ah, e eu pensei que meu charme estava te encantando mais ...
    - Você tem charme, mas eu tenho fome. Foi na banca? Aonde está a tão sinistra matéria?
    Ela diz já abrindo o jornal. Devoro os mistos-quente enquanto ela devora o falecimento do Brasil. Dá prazer ver sua mastigação alterar de velocidade a medida que seus olhos vão se arregalando nas linhas.
    - O café tá com açúcar?
    - Não, você gosta puro.
    - Já até sabe como eu gosto do café.
    - Para de me distrair.
    Ao final da leitura ela depõe o jornal de lado e me investiga com os olhos.
    - Você estava lá no necrotério?
    - Sim. Fomos eu e o Augusto.
    - Ai, você viu o corpo dele também? O peito dele?
    - Oras é óbvio, não está aí na foto? Que pergunta é essa?
    - Mas como deixaram você entrar?
    - Bem o Augusto tinha uma dica de uma amiga dele, ela sacou que havia uma movimentação anormal quando foi ver, era o Brasil.
    - Ah sim, mas isso vai dar um rebuliço nessa cidade. Imagina só, quanta gente não quer que ele tivesse morrido. Até tentaram matar ele uma vez não foi?
    - Sim, mas o safado era esperto e sabia pular como um gato quando encurralado.
    Ela observa minha mãos e pergunta.
    - E tinha muita gente lá na entrada?
    - Olha querida, eu preciso ir na agência depois a gente conversa ok?
    - Sim, sim.
    Eu não vou trabalhar tão cedo, principalmente nesta manhã de glória. E amanhã e depois ainda vão estar falando da minha matéria, então não preciso me preocupar muito, dá pra enrolar um pouco. Fazer desdobramentos e desdobramentos do mesmo assunto, comentar os comentários dos outros por assim vai. Um descanso dessa labuta cai bem.
    Porque você mulheres tem essa maldita memória de tudo o que falamos? Um homem que trai tem de ser no mínimo um bom escritor. Alguém capaz de inventar histórias verossímeis e lembrar dos detalhes que rasgam as tramas e entregam as verdades.
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    Padrão Parabéns!

    @HOVO, estupendo! compraria seu livro qualquer dia da semana!
    Última edição por AlexDoc; 31-12-2016 às 14:40.

    a volta dos que não foram

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  11. #16
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    Olá, gostaria de agradecer aos que acompanharam a saga do Macedo e Augusto até agora.
    Muito obrigado pelas visualizações, comentários, críticas, apontamentos, mensagens. Tudo foi, e será, de muito bom uso.
    Por hora, estou finalizando as postagens dessa história aqui. Em parte porque iniciei outro projeto que exige mais atenção,
    em parte por dica de Guile conforme citação.
    O post continuará aqui para que quando, e se, eu conseguir produzir o que quero possa dividir com vocês.

    Mais uma vez, muito obrigado pela atenção!

    Isto fica feliz em ser útil.


    Citação Postado originalmente por gu1le Ver Post
    Daria um ótimo livro ( e daria um trabalho enorme ) Não sei se vale a pena publicar tudo, antes de garantir seus direitos autorais cara.

    gu1le
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  13. #17
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    Que bom estar desenvolvendo outros trabalhos. Não se esqueça de de vez em quando postar uns textos soltos simples mas inspirados daqueles escritos tipo em vinte minutos sem compromisso com início nem fim. Pode ser que isto sirva como um convite para escrever aos que vierem depois de nós. E o pessoal aqui gosta de ler coisas interessantes.


    Até Breve.


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