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Ver Versão Completa : Terras de Outono - Capitulo VI



Day mah
23-09-2011, 17:17
- Senhor! – O pequeno ser disse em uma reverencia que fez seu nariz tocar quase ao chão.
O homem grandioso perto de todos aqueles anões, estava sentado dentro de uma lagoa que borbulhava da terra. Eram as águas termais, que nasciam no vale Anárion.
O torso nu revelava uma cicatriz, parecia recente, e ia desde o ombro até próximo ao centro do peito. Parecia ter sido uma queimadura inflingida, o aspecto vermelho dava a entender, que estava bem inflamada. O anão de cabelos longos e cheios de cachos, depositou algo, se aproximando lentamente de Kiriel.
Ele observou o pequeno ser se aproximar, e depositar uma tigela com um unguento de cor avermelhada. Kiriel agradeceu com um gesto de cabeça e o anão se retirou com um sorriso.
Nada vinha dando certo. Estava tendo os seus planos virados do avesso, vendo seus esforços em vão. A causa nobre pela qual arriscava a vida, a união de Larzes, fadas e seres mágicos em busca de amiane. E se de quebra conseguisse o respeito e adimiração de todos, melhor ainda. Algo o intrigava, porque as mudas não vingavam?
O corte ardera quando passava a esponja sob ele. Tivera sorte aquele dia nas florestas do norte. O klaind o arranhara, um corte não muito profundo, por sorte. Tudo para vê-la. Nésire. A encantadora e perversa fadinha, era de alguém assim que ele precisava, a candidata ideal para criarem uma nova linhagem de seres mágicos, que controlariam o tempo e as suas estações.
Mais uma vez foi interrompido pela chegada, do mesmo homenzinho de orelhas dobradinhas, quase a sua versão em detalhes, em miniatura.
- Diga Flet. – ele disse com a voz gentil e controlada.
- A menina Nira quer lhe falar, senhor Kiriel…
- Me chame de Kiriel – ele insistiu, sentia que apesar de tudo, Flet ainda relutava em crer nele.
- Me desculpe, se.. Kiriel.
- Obrigado. Diga que não me demoro… - Ele havia se posto de pé e passava agora o unguento pelo machucado. Esperava que fossem noticias favoráveis. Colocou com cansaço a tunica sobre o corpo, juntamente com as calças, e as botas negras, que Flet havia lhe confeccionado aquela manhã.
Estava agradável o clima, naquela época nas terras do sul. Era ali que vivera boa parte dos seus anos. Só sobrevivera graças a bondade de algum ser que o ensinara a se cuidar quando pequeno. Não tinha recordações de quem era, fora abandonado com pouco mais de 6 anos naquelas terras pelos seus.
Para morrer.
Ele era um larze, mas grande demais pra ser considerado, pelos seus, como um deles. A diferença ali, representava a questão, de poder viver ou não. Mas as estações sempre mudavam.
- Que boas noticias traz Nira! – Kiriel sauda fora da caverna agora.
Aquele local era estratégico, protegido por morros e paredões de pedras. Era de dificil acesso, normalmente, só se podia atravessar pelo céu. Apenas Kiriel e seus companheiros sabiam, onde, havia um tunel subterrâneo, que dava acesso aquele pequeno refúgio.
- Kiriel! – Nira sauda com delicadeza. – Ariel e Alirian estavam procurando Amiane, durante o dia anterior. Vim lhe avisar, conforme, me pediu.
- Está dificil encontrar a árvore? – Ele diz com um misto de divertimento e seriedade no olhar. Eles precisavam da seiva para recarregar energia. Ele tinha um pequeno estoque, para cerca de uns seis meses, armazenado.
- Acredito que sim – Nira responde indiferente. Ela como uma metamorfa se alimentava das falésias, e estas, eram muito abundantes por aquelas bandas.
- Bem, suponho que também deverei buscar por outros locais… - Kiriel diz olhando o céu acima de si. – E nas terras do leste?
- Nem me lembre… - O semblante da jovem muda para algo que ele sente ser aversão e incomodo – Seus queridos parentes quase me arrancam a pele.
Kiriel sorri da expressão da metamorfa.
- Deixe de drama Nira. – ele diz rindo abertamente agora. – Ande, quem me ensinou a arte das traquinagens?
- Você malandro? – ela sorri agora.
- Claro… - Kiriel diz sorrindo de modo perigoso. Nira some o sorriso do rosto.
- Preciso ir Kiriel! – ela diz o cumprimentando, ela sentiu quando o seu humor começara a oscilar.
- Já? – ele diz a olhando nos olhos. – Tenho saudades da minha melhor amiga…
- Sabe onde me achar… - ela disse sincera – Algo mais?
- Me avise se algo ocorrer de estranho… - ele diz passando a mão lentamente pela face de Nira. Ela apenas se deixa levar com ele. Sabe ser inútil.
- Eu aviso… - ela diz se afastando com aquele inquietante sentimento de calma…


***

- O que Fawn te disse? – Alirian perguntava, enquanto eles voavam, já nos limites das terras do norte. Iriam adentrar os bosque nevados em breve, e ali, teriam que ser cautelosos.
Antes de sair, a rainha havia dito algo a Ariel, enquanto ela pegava a bolsa com a poção de amiane, suficiente para que os dois, concluissem a viagem, e algumas frutas.
- Queria dizer que sentira minha falta, e que é pra eu me cuidar… - Ariel disse como mera casualidade e Alirian parou a frente dele.
- Acreditas mesmo, que eu, acredito em uma palavra que me disses? – ela disse direta.
- Ciumes Alirian? – ele disse abrindo um sorriso.
Alirian o olha com descrença e revira os olhos para cima.
- Tudo bem, Ariel. É só dizer que não podes dizer…
- E eu não posso? – ele diz meio sentido – sabe que eu não minto pra você Alirian.
- Não que eu saiba… - ela diz pensativa. Talvez estivesse paranóica, no fim das contas.
Ela e Ariel cessam o voo quando adentram pelas redondezas da nascente do Lira, próximo ao lago onde Deiliana vive. Ariel a conhece de muitos anos já. Fora ele quem pedira que ela ficasse de olho em Yriane, a tantos anos já. Ali era o lugar mais seguro para aquela garota.
Ele ruma naquela direção e Alirian bufa com impaciencia.
- Ariel! Não temos tempo!
- É rápido, quero só trocar umas palavrinhas com a Deiliana – ele diz rápido e segue naquela direção, mal esperando Alirian.
Ela para uns intantes.
“Ariel, ainda mata-no com suas decisões repentinas…”
Ela se aproxima de Ariel que reduz o passo para esperá-la. Deiliana esta sentada as margens do Lira. A sombra de uma árvore de caules negros e toda florida.
- Deiliana! – Ariel sauda com um sorriso.
- Ariel! Que bons ventos o trazem?
- Vim com pressa… - ele diz sorrindo para a sereia, que para de pentear os cachos umidos e observa aos dois intrigada.
- Ela se foi Ariel… - Deiliana se limita a dizer.
- Se foi? – ele repete. Alirian fica confusa. Quem havia se ido?
- Sim, com o viajante… - ela continua sorrindo.
- E deixaste-a ir? – ele diz incrédulo. – Deiliana! – ele censura.
- Quem se foi? – Alirian pergunta.
- Yriane. – Deiliana diz divertida com o jeito descrente de Alirian com Ariel. É quase como se estivesse sendo traída. Ela ri – Ela e o viajante sairam ontem a tarde…
- Pra onde eles iam? – Ariel indaga preocupado.
- Não sei…
- Espera… - Alirian diz a se lembrar de algo – Como era esse viajante?
- Bonito! – A sereia diz sentida – Pena que Yriane não me deixou enfeitiçá-lo. – ela arremata com pesar na voz. Ariel ri de Deiliana.
- Vá, já não tens servos suficientes?
- Lindos assim não…
- Era um humano? – Alirian continua.
- Sim. Alto, cabelos negros…
- Ok! – Alirian a corta. – Sei quem é Ariel. Não sei pra que procuras essa Yriane, mas sei pra onde o viajante vai…
- Como? – ele indaga confuso.
- Encontrei-o no bosque ontem com Nésire… - ela começa – Eu disse que talvez June soubesse como sair daqui… Eles vão para lá, Ariel! – ela diz pensando. – Mas… Porque queres saber dela?
- Aff! – ele exclama passado com Alirian – Não se lembras da menina que se perdeu a mais de quatro outonos aqui?
- ah! – ela exclama apenas. Um sinal de entendimento cruza nesse instante a sua face. – A que Nésire chateou?
- Exato. Deixei Deiliana a cuidar dela e olha que belos cuidados… - ele diz para a sereia.
- Ela é bem grandinha… - Deiliana diz com suavidade – Ela quer saber quem ela é… Ela foi porque quis…
- Ok Deiliana! – Ariel diz por fim – Vamos Alirian. E ah! Deiliana ainda estais me devendo… - Ariel diz e a sereia assente.
Ele e Alirian alçam voo novamente, até o começo dos bosques nevados.
- Será que os encontramos ainda? – Ariel divaga.
- Temos a missão Ariel! – Alirian diz sensatamente – Isso é mais importante… Que os deuses queiram que encontremos eles por nosso caminho. Mas é só, não podemos nos afastar mais.

Dynamo
02-10-2011, 21:40
Está ficando melhor do que poderia imaginar =) Parabéns.