PDA

Ver Versão Completa : Terras de Outono - Capitulo V



Day mah
12-09-2011, 11:45
O refúgio das fadas do norte era em um vale, um campo dava acesso a entrada do pequeno bosque, tomado por falésias, frésias, bétulas… Um verdadeiro carrossel florido. Enormes flores em forma de sinos pendidas para baixo eram, utilizadas como dormitório pelos seus ocupantes. Algumas fadas acabavam de acordar naquele instante de seu sono e se preparavam para trocar de turno com as outras.
A flor da Rainha era uma que lembrava uma gigante tulipa amarelada, Fawn estava sentada dentro da flor aberta, enquanto observava a movimentação a sua volta.
Era a versão de Nésire mais velha, embora fossem apenas por cinco ou seis anos a aparente diferença de idade. Já havia vivido muitas estações. O rosto sereno estava aparentemente cansado. A fada que vivia com o espirito ameno e afetuoso, estava dessa vez com algo a inquietando. Esperava ansiosa a resposta das missões de Ariel, Alirian e sua filha Nésire.
Temia ter que tomar uma decisão baseado em algo que ela não tinha certeza. A fada que sempre a fazia companhia estava parada ao seu lado, a olhando interrogativamente. Fawn sabia que podia confiar em sua companheira e amiga de longa data, sua amiga, de decisões dificeis. Tomara que ela fosse tão leal a Nézire, daqui a algumas primaveras, como ela fora consigo durante todos esses anos.
- Danna? – Fawn a chama, a fada pousa suavemente a sua frente. Parece ser uma adolescente, os cabelos loiros, a face corada e o ar angelical.
- Sim minha rainha?! – ela diz com o olhar sério. Como se ela fosse capaz de morrer se, assim, lhe fosse ordenado.
- Preciso que você me traga os pergaminhos antigos… - Fawn diz a fadinha. Ela apenas concorda, com um movimento discreto da cabeça, e alça voo, saindo do refúgio das fadas.
Os fadas que estão no portão apenas observam a estranha movimentação de fadas, todas saindo a pedido de Fawn.
Fawn observa quando Alirian e Ariel passam pelos portões, menos de 10 minutos após Danna sair. A expressão séria no rosto dos dois, parece falar por eles mesmos.
- Rainha Fawn! – Ariel e Alirian saudam em uma longa reverência.
- Ariel. – Fawn diz fazendo gestos para que eles se levantem – Alirian! Boas vindas a casa! O que me trazem de noticias? – Fawn se ajeita melhor na sua Flor e Alirian e Ariel se sentam frente a ela.
- Não encontrei árvores por toda a redondeza, rainha – Alirian diz com uma nota de preocupação.
- E você Ariel? – ela indaga com um pequeno sorriso na face.
- Os Larzes dizem que são aprendizes a controlar o tempo… - ele diz com um certo tom de descrença.
- E Nésire? – Fawn indaga aos dois.
- Rainha! – Nézire surge naquele instante se aproximando – Perdão pelo atraso…
- Me conte Nésire – Fawn a corta com certa impaciencia – O que me trazes?
- Eles recusam. – Nésire diz. Alirian se entreolha com Ariel. Fawn fica calada por vários minutos, até que Danna, sua guardiã, volta com algo envolto em folhas de Guerids.
A fadinha pousa entregando o embrulho a Fawn, alçando voo logo em seguida a um aceno da mesma. A fada abre o conteudo, um rolo de pergaminho amassado e velho.
- Nésire, poderia nos deixar a sós? – Fawn diz a dispensando – Logo te chamo para conversarmos…
Nésire sai odedientemente. Mas não antes de Alirian ver perplexidade no olhar da mesma.
- Presumo que saibam o que é isto… - ela começa. Os dois apenas assentem, tinham uma vaga idéia do que aquilo significava – Os escritos antigos… Temos que encontrar a árvore que pode gerar às outras, mais uma vez. Estou lhes confiando algo importante – ela diz a observar o semblante dos dois. Aquilo logo geraria conflitos entre os povos que habitavam aquelas terras.
- A lenda é verdadeira? – Ariel indaga levemente surpreso.
- Temo que, verdade ou não, é a única chance que temos… - Há pesar na voz da rainha – Você e Alirian são os meus “filhos” de maior confiança. – ela continua os olhando – Mandaria minha filha convosco, mas Nézire pode ser dificil as vezes… Ela ainda está aprendendo. Ela fica aqui, e vai ajudar a dar novas buscas da árvore.
- Qual sua ordem majestade? – Alirian diz sem titubelar.
- Quero que entendam que, eu os estou confiando esta missão, porque possuem talentos que ajudarão na busca. – ela diz fazendo gesto para que eles se levantem. – A lenda diz que a árvore que dá origem às demais se encontra nos bosques de outono, escondida naquele lugar.
- Como iremos saber qual é? – Alirian indaga confusa.
- A lenda diz que durante o solsticio, no ano da lua que renova os elementos, nessa ano, durante os 5 minutos que sua luz tocar a árvore, seus galhos frutificarão, e a fruta trará descendência… A água que purifica, o partir de algo que sacrifica e a esperança de um povo mesclados, farão a árvore despertar do seu sono, apenas durante essa data… - Fawn lê as linhas do pergaminho e observa a reação dos dois.
- Isso parece histórias que contamos as jovens fadas… - Alirian diz com desesperança – Isso parece ser, com o perdão da palavra majestade, uma grande piada feita por alguém como Ariel… - ela diz sem pensar e Ariel olha a amiga com surpresa e divertimento.
- Alirian, isso tem sido repassado de rainha por rainha, a longos outonos… No momento, é o melhor que temos…
- Anime-se Alirian – Ariel diz divertido – Uma verdadeira aventura…
- Muito engraçado – ela o corta – Rainha Fawn, como saberemos como despertar a árvore?
- Eu não sei Alirian, mas presumo que no momento certo, o destino se encarregará da decisão – Fawn diz desviando o olhar dos dois e observando o céu cinzento – Mas a missão que lhes confio, é ir em busca do reino das Hayes, June provavelmente saberá guiar tudo isso…

***

- O que você acha de fazermos uma pausa por hoje e descansarmos? – Yriane diz parando em meio a uma clareira, dentro dos bosques nevados, e encontrando uma gruta.
- Se você não percebeu – Miguel diz se virando pra ela de má vontade – Quanto mais avançarmos, mais cedo encontramos esse reino das Hayes… - Miguel diz com cansaço.
Yriane olha pra ele com um misto de descrença e raiva. Ele era teimoso. Mal trocaram meia duzia de palavras durante o meio dia que caminharam. E todas as respostas eram sempre: Eu disse? Pra que você quer saber? Hmmm… Certo… Talvez… Não… Aquele humano tinha o dom de querer faze-la esbravejar com ele.
- OH! Vá em frente… Quem sabe encontras com um klaind pela noite… - ela diz em tom de ameaça – Eles são criaturas da noite. Tivemos sorte de encontrar este abrigo…
- Klaind? – ele repete – Que diabos é isso?
- Isso, é uma mistura de guepardo com águia. – Yriane diz – São monstruosos… Saem a noite pelos céus a vasculhar possiveis vitimas para se alimentarem.
- E como você viveu 4 anos pelas florestas? – ele diz surpreso.
- Eu conheci Ariel… - Yriane diz em tom saudoso – Ele me ajudou no começo. Mas isso já tem muitos anos…
- Ariel?
- Um fada.
- Fadas teem sexo? – ele diz divertido. Mais uma coisa para a lista de insanidades que fazia. Quando saisse dali, teria material suficiente para publicar um livro.
Yriane não responde. Ao invés disso ela procura gravetos pelo chão, logo logo a noite cairia, e eles não poderiam sair. Após alguns minutos Miguel se junta a tarefa silenciosa, levando aquelas coisas para dentro da pequena gruta.
- Vou ver se encontro algo para comermos – Yriane diz ajeitando a mochila que trazia às costas na gruta. – Me espere aqui. E por favor, não saia! – ela avisa – Não irei atráz de você pela noite. Não com um Klaind a caçar.
Miguel observa a garota sair e deixa-lo sozinho naquele pequeno espaço.
“O que mais posso fazer?!”
Ele pensa. Ele sempre tomava as redeas das situações, sempre gostava de saber que podia tocar os pés no chão, antes de avançar. E o que se fazia em situações em que se perdia o controle? Aprendera que pelo pouco que vira do lugar, provavelmente ela falava a verdade sobre ser um local perigoso. Fadas, sereias, neves mornas, plantas que matavam… O que faltava ali? Dragões, Elfos, cavalos alados… Quem sabe um gênio, como em Aladim…
- Devo estar ficando maluco – Miguel diz a rir de tudo.
- Que bom que sabe… - Yriane diz se sentando e esvaziando o chapéu.
São frutas, pelo menos ele imaginou isso, e água, que ela traz em um cantil de couro e que lhe oferecia.
Miguel mal havia se perguntado o quão com sede ele estava. Sorveu o liquido com sofreguidão, arrancando risadas da sua companheira. Não se importava. A água tinha um leve sabor adocicado, parecia ter sido levemente adoçada.
- É água do Lira – Yriane diz ao notar que ele estava sentindo ansiedade – há um riacho próximo daqui. Amanhã passaremos lá e encheremos o cantil novamente. Coma. – ela diz entregando a ele uma fruta quase negra, de aparencia felpuda – Garanto que não é veneno.
Dizendo isso, Yriane com as mãos abre a fruta, revelando uma poupa leitosa e quase liquida que ela sorve com os lábios. Miguel se sente tentado a recusar, aquilo lhe lembrava algo que ele detestava: leite. Mas entre a fome e a prudencia, dessa vez seu sentido falara mais alto.
Apanhou o fruto e com certo esforço rompeu a casca, quase elástica. Sorveu com receio parte do liquido, lembrava o gosto de aveia e leite. Nunca um gosto que lhe seria enjoativo antigamente, era tão delicioso como agora.
- O que são isso?
- Restos deixados por klaind – Yriane diz já na segunda bolinha.
Miguel gospe surpreso o conteudo que ele ingeriu e joga aquilo fora com certo repúdio.
- Dejetos de Klaind? – ele diz indignado.
- O que é?
- Coco, excremento, o numero 2…
- ok ok..- Yriane diz rindo – já entendi… Isso dai não é dejeto! Eu menti…
- Muito engraçado… - ele diz carrancudo.
- Porque você não viu a sua cara… - ela diz as lágrimas quase. Miguel a fuzila com os olhos – Vá, era brincadeira. São frutos de uma árvore, foi o melhor que eu consegui por hoje… - ela sentencia.
- Você sempre é tão engraçada assim? - ele continua.
- A vida ensinou que precisamos rir quando podemos, nem sempre são alegres os dias
Ele a olha por uns intantes, como se ela tivesse dito uma grande insanidade. - É fácil pra alguém que não se lembra de nada, dizer que a vida é simples, desde que, sorriamos sempre... - ele diz com calma, embora incomodado com aquilo. ela nao vivera nada ainda, não sabia o quão dura as vezes era a vida. quase uma inocente.
Yriane o observa quase a perder o controle. ele devia achar que ela estava a mentir...
- Como pode falar isso sem saber nem metado do que passei? Não me conhece. Não sabe nada de mim. Posso não saber quem fui, mas sei o que passei aqui. - Disse Yriane irritada e virando a cara para o lado para evitar que caem algumas lágrimas.
Não sabia porque fazia tanto esforço para que ele acreditasse nela. Não valia a pena.
- É mesmo? - ele diz percebendo que ela se irritara. - Pra alguém tão forte... Acho que não sabes de nada...
O silêncio paira por ali, durante alguns minutos. O viajante observa os nós dos seus dedos. Crianças as vezes eram dificeis, e de certa maneira, se sentia incomodado de estar a ferindo, de alguma forma. preferia ser motivo de ódio de alguém, do que o da fraqueza da pessoa...
- Você vive falando de mim, sem saber nem nada. E sempre diz que não sei nada da vida. Como pode ter tanta certeza? O que você passou para dizer isso? - Falou Yriane, quieta no canto, continuava sem olhar para ele, não queria parecer tão fraca e sentida.
- Hmm... E isso nos levaria a onde? - Ele diz com toque intencional de indiferença.
- Isso não é uma pergunta retórica? - Yriane diz engolindo aquele sentimento de fragilidade - Você diz que não sei nada da vida, e mesmo assim, você que sabe, reluta em dizer... É estranho...
Ela olha a Miguel. Em silêncio volta a tarefa de acender a fogueira da gruta. Miguel observa a habilidade que ela demonstra, naquele jeito primitivo de buscar o fogo. Ele pensa naquelas palavras, de certa maneira talvez ela tivesse razão.
Apesar de saber o que tinha que falar, ele não sabia como. Era escritor, mas não tinha habilidade para ser gentil nessas horas.
- Eu não disse que sei tudo, disse apenas que você não me parece, conhecer tanto da vida. Me conte então, qual suas experiências em meio a fadas, montros da noite, sereias... - ele diz o nome desses seres misticos com um pingo de ironia.
- Não vou precisar responder essa... - Yriane diz arqueando a sombrancelha, o desafiando a contestar suas próximas palavras - Saia ai fora e veja por si mesmo...
Ela lança a isca. O viajante não era alguém que se pegasse com as palavras. Pra ele, ela teria que sempre provar o contrário. Gostava de desafios. Até que a viajem começava a se mostrar divertida.
- Hmm... - Miguel diz apenas. Sem palavras. Poderia ir lá fora e provar a si mesmo que ela estava enganada, que nao existia nada. Mas começava a duvidar de tanta psicose em sua própria cabeça. Talvez aquilo fosse real no fundo.
- Não quer ir ver? - Yriane diz pegando outra fruta e alimentando o pequeno fogareiro que conseguira acender.
- E desde quando eu disse que não acredito em você?
- E quem disse isso?
- Certo.
- Certo! - Yriane devolve e o observa se recostar contra a parede da gruta.
La fora ja nao se conseguia visualizar algo, a noite caira, escurecendo a floresta como breu. Miguel observava a pequena fogueira quando um grito quebrou o silencio a sua volta. Ele e Yriane se observaram em estranha compreensão por alguns segundos.
- Isso? - ele indaga receoso.
- O klaind encontrou seu jantar... - Yriane diz com simplicidade se recostando para descansar, fechando os olhos em seguida.
Miguel não consegue relaxar. Passa aquela noite a despertar com o minimo barulho, em alerta para algo que pudesse ocorrer. Durante alguma parte da noite ele é vencido pelo sono. Mal sabia ele que sua companheira apenas ressonava, dando um pequeno sorriso, quando a respiração do seu companheiro, lhe anunciou que o sono enfim o vencera.

Sirius
14-09-2011, 22:29
cocô de klaind....kkkkk...sacanagem com o miguel.

Day mah
14-09-2011, 23:02
Ah rir faria bem a ele não acha??
hahaha

Sirius
15-09-2011, 01:06
pois é...e ela bem que tentou isso